O Declínio de Uma Cidade!

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( Em homenagem aos 179 ano de minha cidade)

Seguramente, a cidade vive um declínio em vários aspectos. Economicamente, culturalmente, educacionalmente e socialmente já vivemos tempos melhores, mais felizes, já vivemos o apogeu de cidade mais importante da região da mogiana. Portanto, declinamos e, na minha opinião, vamos continuar a declinar.

Não apresento aqui números, tabelas e estatísticas para corroborar minhas afirmações, mas apresento meu testemunho que poderá ser corroborado pelo testemunho de outros, muitos outros, que já viveram épocas melhores da cidade, ou que conhecem a sua história de glória passada.

Por outro lado, os sinais de declínio estão por toda a parte. Desde a degradação física do ambiente urbano com seus logradouros esburacados, sujos, descuidados, até os seus prédios públicos abandonados, em petição de miséria, e chegando aos prédios privados de gosto duvidoso que são construídos sobre as ruínas de prédios históricos destruídos em nome da chamada “modernização”, mas que no fundo não passa de mera especulação imobiliária.

Os sinais de declínio estão presentes também na área educacional e cultural. Nossas escolas, com uma ou outra exceção, apresentam desempenho pífio nos exames nacionais de avaliação. Nossos espaços de cultura (bibliotecas, teatros, cinemas, praças, etc) vivem abandonados e às moscas. Nosso maior evento “cultural” costuma ser um carnaval de rua sem sentido porque destinado a beneficiar uma parcela restrita da população. Nossa imprensa, em seus muitos aspectos (escrita, radiofônica, televisiva, etc), com raras exceções, tornou-se apenas recreativa, sem nenhum esforço crítico ou vontade de provocar o debate público necessário para a consolidação da democracia.

Declínio patente no descuido com a nossa gloriosa história de construção do território paulista, descuido com a falta de reverência e a falta de  memória com os homens briosos que por aqui passaram e construíram a nação. Abandono da nossa herança de povo altivo e desbravador, muitos vindos de outras terras para aqui construir uma civilização e cuja memória se perde a cada ano.

Em resumo, o declínio se apresenta com sua face carcomida por muitos ângulos em que se olha.

Pensando em tudo isto, me vem a pergunta: por que uma cidade que já foi a mais importante da região declina?

Cidades, Estados, Países e Civilizações inteiras podem obedecer uma ciclo histórico que compreende o nascimento, o esplendor e a decadência. As civilizações gregas e romanas servem de exemplo.

Entretanto, este ciclo não é inevitável e suas causas podem ser identificadas e combatidas. No caso de cidades pequenas como a nossa, seguramente as causas do declínio, as mais importantes pelo menos, podem ser facilmente identificadas.

Comecemos por entender o que é uma cidade (Polis, em grego). Uma cidade, antes de tudo, é um ajuntamento de pessoas que se organizam de forma a permitir a sobrevida, a segurança, o viver em melhores condições para todos os cidadãos. A cidade é o lugar da vida do homem civilizado, do homem socializado, do homem que ultrapassou a sua condição de animal, que superou seus instintos primitivos, que identificou em si uma outra natureza imaterial e mais importante a que denominamos por muitos nomes (espírito, razão, alma, etc.).

O elemento fundante da  cidade é homem, sua matéria prima, seu objeto e fim; sua causa material, formal, eficiente e final.  A cidade é feita por homens para servir aos homens.

A decadência da cidade, o seu declínio, a sua insuficiência decorre, pois, antes de tudo, da insuficiência, da fraqueza, da incapacidade dos homens que a  constituem, isolados ou coletivamente.

Esta insuficiência se manifesta no plano pessoal de cada um dos homens da cidade, mas também e sobretudo no plano das instituições e organizações que estes homens construíram para organizar e gerir a cidade. A deficiência dos homens se transmite diretamente para suas instituições que, no conjunto, formam a cidade.

Não é o prefeito ou os vereadores, ou os magistrados e autoridades constituídas que respondem isoladamente pelo declínio da cidade. São eles em primeiro lugar pela posição hierárquica que ocupam, mas não se pode esquecer que eles são homens fruto do ambiente familiar, educacional, social e cultural da cidade. A cidade forma seus cidadãos, fortes ou fracos, íntegros ou corruptos, competentes ou incompetentes, educados ou ignorantes, preparados ou não para fazer avançar a cidade, preparados ou não para promover o bem comum.

Aqui encontramos a causa do declínio da cidade que antes de tudo é o declínio moral, intelectual, social e cultural dos homens que a compõem.

A matéria primeira da cidade (os homens que a compõem)  não sendo de boa qualidade tem como consequência que a própria cidade não será de boa qualidade. Se a matéria prima não é de boa qualidade, os planos, a arquitetura, a obra não será também de boa qualidade, ficará prejudicada. A cidade declina porque não consegue ter, não consegue reunir homens e mulheres de qualidade para a grande tarefa de fazer um município pujante, culto, educado, organizado e moralmente sólido. A fraqueza da cidade reflete a fraqueza de seus homens e mulheres.

Para melhorar, para recuperar a cidade precisamos de homens e mulheres melhores nas posições cruciais, nas posições que impactam no domínio público; precisamos reunir os melhores entre nós, os mais capacitados, os mais preparados para reorganizar nossas instituições, para reorientar os esforços públicos e privados em favor do bem comum. E digo isso não pensando em prefeitos ou vereadores que embora eleitos muitas vezes não estão minimamente preparados para defender e promover o  bem comum. Prefeitura e Câmara Municipal geralmente são as causas do declínio da cidade porque alí não se reúne o que a cidade tem de melhor. O que faz a grandeza ou o declínio das cidades são os seus homens e mulheres organizados em instituições fortes, com princípios fortes, dedicados à causa comum de forma altruísta e sincera. Políticos geralmente estão distantes deste perfil. Não são os políticos que salvam a cidade, quem salva uma cidade é o seu povo.

O povo precisa de líderes, não de políticos, porque bons líderes não dependem de poder político. Bons líderes não são aqueles que dizem que conseguem fazer tudo ou dar resposta adequada a tudo. Bons líderes são aqueles que são capazes de reunir o que a cidade tem de melhor, reunir seus melhores homens e mulheres, canalizar as energias criativas de todos em função de um projeto comum. Na ágora ateniense reuniam-se os melhores homens, os mais inteligentes, os mais cultos, os mais heróicos, os mais benevolentes; reuniam-se para dar à comunidade o que cada um tinha de melhor. O esplendor de Atenas, considerada ainda hoje como o berço da democracia e da civilização ocidental, se deveu a líderes como Clístenes, Péricles, Demostenes, Sócrates, Platão, Aristóteles e tantos outros que construíram a sua grandeza.

Em nossa cidade faltam líderes com estas características no espaço público e nossas autoridades e instituições não conseguem mobilizar os recursos materiais e intelectuais do povo que permanecem dormentes. Faltam-nos líderes como um dia tivemos. Faltam-nos os Washingtons, os Altinos e os Olympios que um dia fizeram a grandeza da cidade. Sem líderes como aqueles, o declínio da cidade não será detido.

 

 

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O “Vitimismo” na Igreja Católica

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Sendo católico praticante e portanto apto a opinar sem parecer hipócrita, confesso que constantemente me irrito com certa  postura de alguns padres e religiosos que propagam o que chamo de “vitimismo”.

Entendo este “vitimismo” como a esforço daqueles citados em transformar o católico ideal em uma vítima, seja social, seja economicamente, de algo perverso que ora parece ser a própria vida, ora o capitalismo, ora os ricos, ora os políticos e assim por diante. O catolicismo, nesta visão curta, parece ser uma religião que necessita de vítimas para justificar a ação pastoral. As vítimas mal definidas, sejam elas quais forem,  tornam-se assim alvo da ação preferencial da igreja que gasta parte substancial da sua energia teorizando e pregando especialmente em nome e para estas vítimas.

No fundo, no entanto, creio que existe aqui mais uma ideologia, mais uma ação política da igreja disfarçada de ação pastoral. Vejo aí os braços da teologia da libertação e seu marxismo oculto tentando reabilitar a luta de classes no interior da igreja.

O ser humano não é, por principio, vítima de nada a não ser de si mesmo. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus e, portanto, existe em nós a potência Divina. O espírito perfeito, na figura trinitária, habita em nossos corações. Pode estar oculto, pode estar calado, pode estar submerso pelo pecado, mas ali, no nosso íntimo ser, está presente. Não é da natureza divina do homem procurar a queda, transformar-se em vítima de qualquer situação. Ao contrário é da sua natureza unir-se ao criador.

O catolicismo deveria, na minha opinião de fiel, deixar de valorizar a queda, o erro, o pecado e passar a enaltecer a virtude, o esforço, a iluminação, a educação; não apenas a redenção dos pecados, mas a superação da ignorância, a superação das limitações impostas pelo meio, pelos condicionantes sociais e econômicos por meio da promoção do homem, por meio  da elevação, da descoberta do Divino no íntimo do ser.

A Igreja Católica precisa de um novo ânimo. No passado glorioso a religião católica dominava o coração e a mente da maior parte da população do mundo ocidental.. Dirigia, em grande parte, as maiores Universidades do mundo. Os Doutores Santos da Igreja eram os maiores sábios e filósofos do mundo. Figuras como Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino marcaram para sempre, de forma indelével, a vida do ocidente. A Igreja Católica era sinônimo também de educação.

Hoje, não mais. O trabalho intelectual e educacional da Igreja Católica praticamente não existe mais fora dos seminários. Mesmo as Instituições de ensino regidas por religiosos sucumbiram ao ensino laico. Sucumbiram primeiramente ao idealismo racionalista, dualista, introduzido por Descartes e mais recentemente ao marxismo teológico disfarçado de escolha preferencial pelas vítimas.

A batalha do catolicismo está sendo perdida nas mentes e nos corações, vejo isto cotidianamente. Obviamente que as causas deste declínio são variadas, mas uma delas certamente é o “vitimismo”.

O “vitimismo” escraviza o pensamento, não liberta. O “vitimismo” nega as virtudes teologais. Nega a fé porque não acredita no homem; nega a esperança porque transforma a todos em vítimas, não em protagonistas da história; nega a caridade porque se fecha em uma visão de mundo parcial e ideologizada que separa as pessoas, ao invés de uni-las no amor de Cristo.

O maior erro da pós-modernidade

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O maior erro da modernidade ou da pós-modernidade, em questões espirituais, é a sua pretensão em querer julgar Deus e sua natureza com os critérios e limitações humanas. O mundo que conhecemos foi criado, disso não resta dúvida, a ciência o atesta. Entretanto, a causa desta criação, a forma como aconteceu, a natureza do que existia antes deste evento que conhecemos como “big bang”, nos é inacessível, mesmo com toda a ciência que temos.

A natureza do que existia antes da criação é completamente diferente da natureza do que foi criado. Nós humanos, parte infinitesimal do que foi criado, nunca entenderemos, com os critérios de nossa humanidade, com a nossa lógica limitada, com nossa ciência imperfeita, àquela realidade que nos criou. A única forma de entedê-la é pela crença, pela fé na realidade Divina à qual somente temos acesso pela revelação. A razão, nesta questão, é limitada. A pós-modernidade tem razão de mais e coração de menos. Aí está o seu grande erro.

 

Em uma manhã de domingo

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Imagen obtida na internet

O dia amanhecera frio, muito frio. Meu espírito também estava invernal e continuaria assim até o meio da manhã.

Lia um capítulo de Leo Strauss sobre educação liberal. Dizia ele que a educação liberal é educar o homem na sua humanidade, recuperando e matendo vivo os ensinamentos das grandes mentes que já viveram e que fizeram avançar a humanidade.

O espírito humano elevado é o único que pode oferecer guiamento seguro para a humanidade.

Nossa tradição civilizatória de herança grego-cristã possui fundamentos que estão sendo esquecidos, relegados ao plano insignificante de poucos guardiões cuja alma somente se encontra nos grandes livros, nas grandes obras de arte, cada vez menos aprecidados, menos lembrados.

Naquele diapasão também me ocorreu  trechos de um livro de Mário Ferreira dos Santos, chamado “Invasão Vertical do Bárbaros”, que havia lido na noite anterior. Alí também encontrei  o registro do abandono e do ataque sistemático que os valores da nossa civilização vem sofrendo desde a irrupção da chamada “modernidade”.

Naquele momento fui acometido por um poderoso  insight que me fez compreender  o fato de que nossas vidas “modernas”se caracterizam, como tantos grandes homens do passado já apontaram, pelo ter e não pelo ser.

Nosso ser está cada vez mais aprisionado pelos condicionantes materiais de nossa existência, pelo supérfluo, pelo acessório, pelo passageiro. Procuramos a felicidade naquilo que não perdura, que não tem existência autônoma.

Nossa felicidade somente pode ser encontrada nos valores perenes que recebemos da tradição de nossa cultura, no cultivo da virtude, no cultivo do bem supremo, no cultivo dos princípios humanitários consolidados pela nossa tradição greco-latina e cristã.

Alguma Poesia I

Sempre é tempo
Para começar
A viver
O que nunca vivemos

Seja no sonho tresloucado
Da noite insone
Seja na fúria insana
Da impotência morta

Sempre é tempo
De retomar
O mar perdido
Para o inimigo Interno

E velejar nas águas
Profundas da alma
Rediviva pela força
Da imaginação

Sempre é tempo
De recomeçar
Para não perder tudo
Para a negra criatura

Afinal
Só vive o que
Em fluxo
Se mantém

Só vive o que
Sempre muda
Se adapta
Se transforma

O que mudo e quieto
Ficou
Já morreu
Sem saber

Alguma Poesia II

 

O sossego dos pátios vazios
A calma das noites de verão
Iluminadas pelos candeeiros
Da memória infante

Transporte transdimensional
Êxtase intelectual
Que demonstra a fragilidade
Do agora

Vivo melhor e mais feliz
Naquilo que já vivi
Remontado no presente
Pelo gênio sensível
Que em mim mora

Quisera que assim sempre
Tivesse vivido
Pois assim nunca te
Teria perdido

Te manteria assim
Cativa
Escrava
No meu coração

Te consumiria
Quando bem
Me aprouvesse
Em uma noite
De verão

Alguma Poesia III

Vamos falar do futuro

Porque o presente me decepciona

Vamos falar de otimismo e garra

Porque o dia a dia me entristece

 

Vamos falar de novas luzes

Porque minha alma anda em penumbra

E não vejo claramente a luz

Que alguém disse que está no fim do túnel

 

Vamos falar de amizade

Porque na solidão em que vivo

Não sinto o calor de um corpo amigo

Que me aqueça no frio da noite

 

Vamos falar de sonhos

Porque nas noites em que adormeço

Somente tenho pesadelos

Do dia a dia que me entristece

 

Vamos falar da vida

Que esquecemos de viver

Porque a nossa vida é tão rápida

Que para ela não temos tempo

 

Vamos falar da morte dos sonhos

Que estando mortos

Não andam pelas minhas noites dormidas

Mas deambulam como fantasmas

Pelos dias infinitos

Que me entristecem

 

Vamos falar da juventude

Da minha e da deles

Perdidas no torvelinho

Do dia a dia que me entristece

 

Vamos falar das lutas

Que nunca lutamos

Porque não temos causa

Que nosso coração abale

 

Vamos falar das dores que não sentimos

Porque anestesiados estamos

Pelo dia a dia que me entristece

 

Vamos falar do futuro

Porque tudo nele acontece

E o dia que ainda não veio

Pode ser luminoso e feliz

 

Vamos falar do futuro

Porque nele as decepções

Ainda não existem

E a felicidade ainda vive

 

Vamos falar do futuro

Porque o presente é tão duro

Que nossa pele rasga

E nossa mente violenta

 

Vamos falar do futuro

Porque o que nele vive

Pode nos inspirar

Pode nos salvar

Deste dia a dia que me entristece

O Limite do Universo e o Tamanho da Nossa Ignorância

http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e7/Observable_universe_logarithmic_illustration.png/250px-Observable_universe_logarithmic_illustration.png Figura representativa do universo observável (fonte Wikipédia)

O universo em que vivemos é fundamentalmente desconhecido. Dele temos algumas informações e muitas especulações.

Muitos de nossos cientistas acreditam em uma visão materialista do universo, ou seja o nosso universo não foi criado por uma entidade onipotente a que damos o nome de Deus. Para estes, o universo em que vivemos surgiu de uma singularidade (algum acontecimento desconhecido) situado fora do nosso tempo e nosso espaço, visto que foi deste acontecimento que tudo o que existe surgiu.

Esta singularidade, que não era nada e ao mesmo tempo era tudo, de repente mudou de humor, e começou a se expandir de forma tão extraordinária que, à falta de uma imagem apropriada, foi denominado de “big-bang”, ou grande explosão. Em poucos segundo esta singularidade originou tudo o que existe hoje, partículas elementares, átomos, planetas, estrelas, galáxias, o próprio tempo e o espaço. Somente a partir daí é que espaço e o tempo dos quais temos uma vaga noção, começou a existir.

Este fantástico processo aconteceu, segundo as melhores estimativas, a 13,8 bilhões de anos atrás e deu origem a este universo que vemos sobre nossas cabeças. Este universo pode não ter limites, mas dele somente podemos conhecer o que conseguimos observar, ou seja, para nós este universo tem um limite que os astrônomos denominam “universo observável”. O diâmetro estimado deste universo observável é de 93 bilhões de anos luz, ou usando uma medida astronômica, 28 bilhões de parsecs ( 1 parsec é igual a 3,09 x 10E16 metros). Além deste horizonte, nada do que existe, se é que existe, é ou será de nosso conhecimento. Portanto, podemos dizer que este é o limite de nosso universo, embora este limite não seja físico, sendo apenas o limite de nossa capacidade de conhecer. Em outros termos, o limite do nosso universo nada mais é do que o tamanho da nossa ignorância. Isto vale para a física e também para o nossa vida em geral.

O lugar do Homem no Universo

A visão que a ciência nos dá do universo coloca o homem sentado em um minúsculo átomo planetário, submetido a poderosas leis universais que o escravizam, que o transformam em um joguete do destino regulado pela natureza. O homem seria o que a evolução natural permitiu que ele fosse.

Essa visão, no entanto, é apenas uma visão. Existem outras completamente diferentes e até contrárias.

Em minha convicção pessoal considero o homem muito mais do que um insignificante grão de poeira cósmica. Quando observo aquele imenso universo material vejo uma maravilha vibrante de galáxias, estrelas, planetas, mas vejo também a maior maravilha entre todas: o próprio homem.

Não conheço, no universo, nada mais complexo, nada mais belo, nada mais misterioso do que o homem. Diferente de tudo o mais, diferente de todos os demais seres vivos que com ele convivem neste planeta. Ser poderoso ao ponto de criar coisas inimaginavelmente belas e que não conhecemos em outro lugar do universo frio da ciência, como a música, a literatura, a pintura, e todas as demais artes. Capaz de nutrir sentimentos os mais nobres como o amor, a compaixão, a solidariedade, o sacrifício  e tantos outros que são próprios do homem.

Inescapável concluir  que de todo o universo conhecido, o homem é a maior de todas as realidade. Se assim é, também é inescusável concluir que nisto há um propósito, um capricho, um fato extraordinário, um milagre independente das explicações que possamos dar a este fato.

Este ponto me parece fundamental para entendermos o propósito de nossas vidas, a direção de nossas ações. Estamos neste mundo como resultado de um acontecimento extraordinário e temos que valorizar este acontecimento; temos que colocá-lo no centro e não na periferia. A vida e as conquistas do homem durante a sua história nos dão o propósito de nossas ações no presente. Cada legado que recebemos das gerações passadas tem que ser aprendido, incorporado pelas novas gerações. Cada progresso moral, cada conquista civilizadora tem que ser idolatrada no dia-a-dia. Não podemos nos dar ao luxo do eterno começar, do eterno pensar de que mudar tudo é possível. Não, não é. As mudanças devem ser feitas respeitando as conquistas do passado, caso contrário  chegaremos ao ponto de que re-introduzir a barbárie, como mudança, seja aceitável.  A barbárie já foi vencida no passado e ela retornará apenas por regressão, por ignorância daquele passado.

A educação das novas gerações significa nada mais do que atualizá-las com as grandes conquistas das gerações passadas; significa colocar as novas gerações, rapidamente, no mais alto patamar civilizacional atingido pelos nossos predecessores e, a partir daí, propor avanços seguros em direção a um futuro melhor. A ignorância desse preceito educacional básico significa o retorno ao passado, significa repetir os erros já cometidos e agora esquecidos. Isso explica porque os reformadores radicais, os revolucionários são, antes de tudo, ignorantes. Ignorantes em sentido amplo, geral e irrestrito.